
O que se pode permitir?
Quase todas as noites algo tirava a sua atenção. Sentia-se inquieto, atraído por algo que não sabia o que era. Sua mão soava quase sempre que pensava, dedos trêmulos, adrenalina alta. Por um instante cheio de motivos para pular, gritar, rir... estava com seus amigos. Mas algo realmente estranho o perturbava, e colocava-se a pensar: historia de uma historia sem pé nem cabeça contava aos outros a sua historia, que patético. Incrivelmente ele conseguia ser assim e mudar tão repentinamente, suas palavras as vezes assustavam, seu olhar intimidava mesmo sem querer. O que aconteceu contigo? Ele não gosta disso, mas, se diverte. Aquilo que lhe tirava a atenção, o sono, era algo que crescia dentro de si, cresceu ate não mais couber no peito, na mente... logo ele que odeia cair na rotina, todos os dias era a mesma coisa. Mas, seu amor crescia e crescia, e sua raiva crescia e crescia... acabou? Aquilo explodiu... uma bomba sem hora marcada, ou seria coisa do seu destino? Andando, pensava no seu lugar, na sua hora, no seu destino, eram coisas que jamais passaram por sua cabeça. O que aconteceu? Continuou andando pela calçada que parecia não terminar.
Tanto amou, esperou, estimou... de repente uma ventania tomou conta do céu... as estrelas começaram a cair... o céu de tão enfurecido ficou vermelho e começou a chorar... já não se escutava mais nada aquela altura...apenas batidas ritmadas do seu coração conseguia sentir. Pingos de chuva escorriam pelo seu corpo, pingos gelados tentando acorda-lo. Tão mudo, tão cego, ficou surdo também, agora isso tudo tampouco importava, batidas que não agüentavam mais.
Caiu ali mesmo, na calcada, que parecia não terminar e não terminou. Já não tinha mesmo mais nada a perder, tudo que queria e já tinha havia perdido no meio de todo aquele vendaval. Arrastou-se céu e terra. E ele não conseguia levantar dali, forcas o abandonaram... já eram poucas e não permitiam mais nada. Seu corpo doía, sua mente não pensava mais, seu coração, animo foi perdendo...
O amor se gasta com a ausência.
Foi embora... na calçada ficou apenas seus trapos, seu lápis e seus rabiscos no papel amarelado que trazia no bolso. Subiu para o raivoso céu, queria se achar naquele infinito espaço...
Partiu sim, e não voltou mais...
08/08/05
Escrito por Rafael: o doido!!! às 11h15
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